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Dias Gomes é o homenageado da FLOR 2026

  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

A Festa Literária do Oeste do Rio realiza sua 5° edição fazendo conexões entre a cidade fictícia de Sucupira e a Zona Oeste


Para a FLOR, homenagear Dias Gomes vai além do reconhecimento literário, é também uma questão de território. A novela original de 1973 e o seriado exibido na década de 80 trouxeram a cidade fictícia de “O Bem-Amado”, Sucupira, para Santa Cruz e Sepetiba. O casarão que hoje abriga o Espaço Ser Cidadão, antiga residência do senador Cesário de Melo, serviu de cenário para a Prefeitura de Sucupira. 


Do lado oposto da rua, o prédio onde hoje funcionam a XIX Administração Regional e a 10ª Coordenadoria de Assistência Social (10ª CDS) era, na ficção, a Câmara de Vereadores. Ver esses prédios históricos, que fazem parte do cotidiano de Santa Cruz, transformados em símbolos do poder “sucupirense” é prova de que a Zona Oeste não é apenas periferia: ela é cenário, é história e é personagem importante da cultura nacional.


A relação entre “O Bem-Amado e a Zona Oeste também aparece na identidade visual da FLOR 2026. As ilustrações do quadrinista, escritor e músico Gabriel Billy incorporam elementos que remetem aos cenários da novela, como o coreto de Sepetiba, que serviu de palco para os discursos do prefeito Odorico Paraguaçu. O espaço, que faz parte da paisagem do território, ganha uma nova representação ao lado de personagens e outros elementos do universo de Sucupira. 


A FLOR é um movimento cultural que reafirma a força da Zona Oeste na cena literária do Rio. Em uma cidade marcada por desigualdades históricas no acesso à leitura e ao ensino, o evento se consolida como espaço de encontro, formação de leitores e assina a identidade periférica. Ao homenagear Dias Gomes, a FLOR mostra que a literatura pode falar com um grande público sem perder sua profundidade e que histórias regionais podem falar sobre o Brasil inteiro.


Quem foi Dias Gomes?


Alfredo de Freitas Dias Gomes nasceu em Salvador, em 1922, mas foi no Rio de Janeiro que ele deu forma à dramaturgia brasileira do século XX. Escrevendo para teatro, cinema e televisão, o autor utilizou a sátira para falar sobre o Brasil, criando personagens e obras marcantes que, décadas depois, continuam a nos dizer mais sobre quem somos.


Em 1959, escreveu “O Pagador de Promessas”, que ao ser adaptado para o cinema conquistou a única Palma de Ouro do Brasil em Cannes. Mas foi com “O Bem-Amado" que ele criou um universo paralelo chamado Sucupira. Uma cidade fictícia que se tornou um espelho do populismo e das contradições políticas brasileiras. Essa crítica levou a UERJ a escolher o livro para o seu vestibular de 2027, e colocou Dias Gomes no centro das atenções de milhares de estudantes.

📅 A FLOR acontece de 16 a 19 de setembro.

Em breve a programação completa.



 
 
 

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